Nascida há 80 anos, Beth Carvalho permanece na memória nacional como sólida referência do samba carioca

  • 05/05/2026
(Foto: Reprodução)
Beth Carvalho (1946 – 2019) faria 80 anos hoje, terça-feira, 5 de maio Reprodução / Capa do álbum 'De pé no chão' (1978) ♫ ANÁLISE ♬ Nascida em 5 de maio de 1946, Beth Carvalho festejaria hoje 80 anos. Hoje é dia de festa porque, morta em 30 de abril de 2019, há sete anos, a cantora carioca permanece na memória nacional como sólida referência feminina no universo do samba do Rio de Janeiro (RJ). Desde o começo dos anos 1970, década em que abraçou definitivamente o gênero após início titubeante na era dos festivais em conversão efetivada em 1971, Elizabeth Santos Leal de Carvalho se tornou nome respeitado nas rodas cariocas, nas quadras das escola de samba e em qualquer meio em que o assunto seja o samba. O respeito somente cresceu com o tempo. Diferentemente de Alcione e de Clara Nunes (1942 – 1983), cantoras contemporâneas de Beth que foram além do samba nas respectivas discografias, Beth Carvalho permaneceu extremamente fiel ao gênero, ao qual deu expressiva contribuição, tendo sido o veículo para a propagação da nova forma de tocar samba, inventada pela geração Fundo de Quintal com as entradas nas rodas de instrumentos como o banjo e o tantã. Essa estética foi revelada pela cantora no álbum “De pé no chão” (1978), título revolucionário da discografia do samba. Em discografia que se conservou coerente e sem concessões até o último álbum, um registro ao vivo de show editado em 2014, Beth Carvalho soube harmonizar o samba dessa nova geração – formada por bambas como Almir Guineto (1946 – 2017), Arlindo Cruz (1958 – 20025), Jorge Aragão e Zeca Pagodinho, este revelado pela cantora no álbum “Suor no rosto”, de 1983 – com as tradições dos bambas da Velha Guarda. Ainda que tenha sido apaixonada Mangueirense, Beth foi a cantora que mais deu voz em disco às composições dos veteranos da escola de samba Portela. Também contribuiu para a popularização das obras de Cartola (1908 – 1980) e Nelson Cavaquinho (1911 – 1986). A partir dos anos 1990, década em que o mercado fonográfico foi regido pela massificação de gêneros como a axé music e o pagode romântico, Beth Carvalho nunca mais teria vendagens tão expressivas e emplacaria tantos sucessos como na fase da RCA, como na fase da RCA, gravadora na qual a cantora fez álbuns antológicos como “No pagode” (1979), “Sentimento brasileiro” (1980), “Na fonte” (1981), “Coração feliz” (1984) e “Beth” (1986). Contudo, de acordo com a maré, Beth seguiu firme e forte, escorada no prestígio inabalável, cantando as novidades possíveis em discos ao vivo e em projetos temáticos, tendências do mercado a partir dos anos 1990. O legado de Beth Carvalho já está dimensionado em livros e filmes. Hoje, dia dos 80 anos da Madrinha do samba, o cantor Leo Russo lança o single “Obrigado, Beth Carvalho”, samba inédito, composto pelo artista em 2013, após a cantora participar do primeiro álbum de Russo. O sentimento de gratidão de Leo Russo parece ser o mesmo de toda a comunidade do samba. Beth Carvalho cantou samba com verdade, com alma e com real admiração pelos frutos daqueles nobres quintais cariocas. Tinha amor genuíno pelo gênero. É por isso que continua sendo uma voz perene do samba. Hoje, quando faria 80 anos, ou daqui a 20 anos, quando o Brasil festejará o centenário da artista, Beth Carvalho é e será referência inabalável quando o assunto é samba. Beth Carvalho construiu discografia referencial a partir de 1971, ano em que abraçou definitivamente o samba Reprodução / Capa do álbum 'Mundo melhor' (1976)

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/05/05/nascida-ha-80-anos-beth-carvalho-permanece-na-memoria-nacional-como-solida-referencia-do-samba-carioca.ghtml


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