Marina Iris canta Wilson Moreira com conhecimento e reverência em álbum com raras pérolas negras do bamba que completaria 90 anos em dezembro

  • 23/09/2026
(Foto: Reprodução)
Marina Iris lança 'Banzo batucada', álbum em que canta 16 sambas de Wilson Moreira (1936 – 2018), compositor que faria 90 anos em dezembro Pedro Curi / Divulgação ♫ CRÍTICA DE ÁLBUM Título: Banzo batucada – Marina Iris canta Wilson Moreira Artista: Marina Iris Cotação: ★ ★ ★ ★ 1/2 ♬ Wilson Moreira Serra (12 de dezembro de 1936 – 6 de setembro de 2018) foi um dos bambas do samba do Rio de Janeiro. Mas não costuma ser tão lembrado e/ou reverenciado quanto outros mestres da geração como Candeia (1935 – 1978), Martinho da Vila e mesmo Nei Lopes, o parceiro mais famoso de Wilson. Daí a importância do álbum que Marina Iris lançará na sexta-feira, 25 de setembro, em edição da gravadora Biscoito Fino. “Banzo batucada – Marina Iris canta Wilson Moreira” é songbook de quem conhece bem o compositor carioca que faria 90 anos em dezembro. Álbum gravado sob direção artística da própria Marina Iris, com produção musical de Alaan Monteiro e Alessandro Cardozo, “Banzo batucada” está longe de ser tributo óbvio. Tanto que a seleção de repertório ignora os standards da parceria de Wilson Moreira com Nei Lopes – “Coisa da antiga“ (1977)”, “Candongueiro” (1978), “Goiabada cascão” (1978), “Gostoso veneno” (1979) e “Senhora liberdade” (1979), imortalizados nas vozes de cantoras como Clara Nunes (1942 –1983), Beth Carvalho (1946 – 2019), Alcione e Zezé Motta – para pescar raras pérolas negras no baú de Wilson. Uma das joias é “Coité, cuia” (Wilson Moreira e Nei Lopes, 1977), partido alto que Marina Iris junta com “Meu baio e meus balaios” (1975) em medley que reapresenta dois sambas esquecidos lançados na voz de Roberto Ribeiro (1940 – 1996), cantor relevante cuja discografia precisa ser mais bem explorada por intérpretes das novas gerações. Capa do álbum 'Banzo batucada – Marina Iris canta Wilson Moreira', de Marina Iris Pedro Curi / Divulgação Marina Iris canta Wilson Moreira com reverência, sem invenção de moda e sem intenção de modernizar uma obra de força atemporal. “Banzo batucada“ é álbum de quem está por dentro da roda. Como Marina Iris e como Teresa Cristina, convidada da dona do disco na boa lembrança de “Alegria perdida (Yoyô de yayá)” (1974), partido alto de Wilson com Candeia, intérprete original do samba lançado há 52 anos. Parceiro do bamba em “Judia de mim” (1986), Zeca Pagodinho também participa do álbum em outro samba que compôs com Wilson, “Moenda velha” (1993), em gravação feita com arranjo de Pretinho da Serrinha. Com Jorge Aragão, Marina Iris revisita “Quintal do céu” (1986), samba melodioso de luminoso lirismo, típico de Aragão, parceiro de Wilson no samba lançado há 40 anos. Precedido pelo single lançado em 3 de setembro com a gravação de “Nãna” (2011), o álbum “Banzo batucada“ alinha 18 sambas e um texto ao longo de 14 faixas. Dos 18 sambas, 16 são da lavra de Wilson Moreira e outros dois são inéditos, feitos para louvar o compositor celebrado por Marina Iris. O samba lento “Mestre Wilson soberano” (Manu da Cuíca e Marina Iris, 2026) e o partido alto “Moringa do Moreira” (Marquinho China e Luiz Carlos Máximo, 2026) estão alocados na abertura e no encerramento do disco, respectivamente. Arranjado por Ana Costa, o partido “Moringa do Moreira” fecha o álbum em alto estilo com versos improvisados com Gabrielzinho do Irajá, Marquinho China e Mosquito, convidados de Marina na faixa. Já o samba que batizou álbum lançado por Wilson Moreira em 1989, “Okolofé”, ressurge valorizado pelo canto coletivo das vozes do Coro de Artista de Teatro, formado por Camilla Monteiro, Clara Serrão, Êlli Ferreira, Hugo Germano, Lucas Sampaio, Luiza Loroza, Muato, Jennifer Dias, Pedro Caetano, Sérgio Kauffmann. “Okolofé”, cabe lembrar, é samba composto por Wilson em homenagem ao grande ator Grande Otelo (1915 – 1993). Do álbum “Okolofé”, Marina Iris também revive os sambas “Belo encontro” (1989) e “Formiga miúda” (Wilson Moreira e Sérgio Fonseca, 1989), este em medley com "A brilhante velha guarda" (2002). Da arte negra de Wilson Moreira e Nei Lopes, Marina Iris canta “Não foi ela” (1978) – uma das pérolas raras do álbum, embora tenha sido regravada por Zeca Pagodinho em 1997 – e revolve o chão do terreiro ao cantar “Jongo do Irmão Café” (1981) com o grupo Terreiro de Crioulo e o próprio Nei Lopes em gravação emocionante. Na costura fina do álbum “Banzo batucada“, “Jongo do Irmão Café” se alinha tematicamente com “Canteiro de obra” (Wilson Moreira e Sérgio Fonseca, 1986), faixa que precede o jongo, juntando Marina com dois nomes dissociados das rodas, Chico César e Juliana Linhares, mas ambos afinados com o tom desse mix de samba, seresta, toada e baião sobre a migração do povo nordestino para o sudeste do Brasil. A música “Canteiro de obra” vem acoplada em medley com o texto “Amanhã será melhor”, do poeta pernambucano Solano Trindade (1908 – 1974). A gravação de “Canteiro de obra” exemplifica a construção sólida do tributo de Marina Iris a Wilson Moreira. Mesmo que um ou outro sambe soa menos atraente no conjunto da obra, a cantora entrega ao povo um álbum em forma de arte, jogando luz sobre um compositor de alta estirpe que precisa ser mais reverenciado fora das rodas. Marina Iris faz feats com Chico César, Jorge Aragão, Juliana Linhares, Nei Lopes, Teresa Cristina e Zeca Pagodinho no álbum 'Banzo batucada' Pedro Curi / Divulgação

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/09/23/marina-iris-canta-wilson-moreira-com-conhecimento-e-reverencia-em-album-com-raras-perolas-negras-do-bamba-que-completaria-90-anos-em-dezembro.ghtml


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