Luzes e sombras da relação visceral de Aldir Blanc com a mulher Mari Sá Freire são expostas em filme amoroso que abre o relicário afetivo do compositor

  • 06/10/2026
(Foto: Reprodução)
Viúva de Aldir Blanc (1946 – 2020), Mari Lúcia de Sá Freire conduz a narrativa de 'Fui olhar você dormir', filme de Anna Azevedo em cartaz no Festival do Rio 2026 Divulgação / Festival do Rio ♫ CRÍTICA DE DOCUMENTÁRIO MUSICAL Título: “Fui olhar você dormir” Direção: Anna Azevedo Roteiro: Anna Azevedo e Cláudio Uchôa Cotação: ★ ★ ★ ★ ♬ Aldir Blanc é tema de dois documentários apresentados em primeira mão na programação do Festival do Rio 2026. Um deles, “Aldir Blanc – Resposta ao tempo”, ratifica a transcendência da obra musical do compositor. O outro, “Fui olhar você dormir”, está focado na esfera íntima e pessoal de Aldir Blanc Mendes (2 de setembro de 1946 – 4 de maio de 2020) com a companheira de vida, Mari Lúcia de Sá Freire, com quem o artista viveu por quase 34 anos. Ao longo de todo esse tempo, o compositor escreveu cerca de dois mil bilhetes para a mulher. É esse relicário afetivo que Mari abre diante das câmeras da cineasta Anna Azevedo, diretora do filme, roteirizado por Anna com Cláudio Uchôa. A abertura desse escapulário faz espocar na tela uma relação visceral, pautada por amor profundo, dependência emocional, luzes e sombras. Filme que tem sessões no Festival do Rio até amanhã, 7 de outubro, “Fui olhar você dormir” é joia de sensibilidade por dissecar as entranhas da alma por vezes sombria de Aldir, desnudada pelo próprio bardo através dos bilhetes. É especialmente reveladora no filme a passagem que revela o fato de Mari ter sido impelida a abreviar uma viagem por Canadá e Estados Unidos em dezembro de 1994 porque Aldir – o Pitoco, assim chamado na intimidade conjugal – adoecia de saudade da esposa, perdendo alguns quilos em poucos dias. “Mari, já fiz tudo para disfarçar que estou só, deprimido etc. Eu me desencantei com sua viagem. Não vejo um filme inteiro e não avanço nem dez páginas em livro nenhum. Sinto sua falta. Quando falo com você no telefone, eu a encontro feliz, animada, e desligo ainda pior por conta da decepção comigo mesmo”, relatou Aldir. Tantos argumentos parecidos em telefonemas e no diário de viagem – escrito por Aldir na ausência da mulher – acabaram precipitando a volta de Mari ao Brasil. O fato de encadear numerosas imagens da intimidade do casal e da família – desde sempre documentada em fitas VHS e celulares – confere legitimidade à narrativa e impede a produção da Butterfly Filmes de ficar maçante ao longo dos 72 minutos de duração. É como se as imagens fossem a trilha sonora dos bilhetes. Ou vice-versa. “Ele era um ser muito sozinho. E ai tinha os mecanismos de defesa. Aí sai pra bebida... Ele não se achava bonito. Ele era o patinho feio”, perfila Mari, que em outra fala expõe o paradoxal poder de sedução do patinho feio. “Ele me pegou pelas orelhas, pelo cangote”, revela a esposa conquistada para sempre. Se o alcoolismo muitas vezes nublou a relação de 34 anos até o vício ser enfrentado por Aldir, a presença dos netos na casa cheia foi outras vezes a luz que iluminou a vida do artista. Luz bem-vinda porque ideias destrutivas sempre rondavam a mente desassossegada do ourives do palavreado. “A mulher que floriu meu caminho está me deixando, mesmo que não parta”, observou Aldir, certa vez, em um dos milhares de bilhetes, ao detectar um esfriamento da paixão. Como a escrita é referendada pelas imagens que abrem a porta da casa do casal, o filme “Fui olhar você dormir” vai enredando o espectador na trama familiar até o fim do filme. A cena em que Mari joga cinzas de Aldir Blanc no mar, ao som de versão em português de “Moonlight serenade” (Glenn Miller, e Mitchell Parish, 1939), escrita e cantada pelo próprio Aldir, deixa a certeza de que, em essência e sobretudo, “Fui olhar você dormir” é filme que conta a história de um grande amor que, assim como a obra do bardo, também transcendeu a existência física de Aldir Blanc Mendes, o Pitoco. Imagem do filme 'Fui olhar você dormir', atração do Festival do Rio 2026 que tem sessões hoje e amanhã, 6 e 7 de outubro Divulgação / Festival do Rio

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/10/06/luzes-e-sombras-da-relacao-visceral-de-aldir-blanc-com-a-mulher-mari-de-sa-freire-e-exposta-em-filme-amoroso-que-abre-o-relicario-afetivo-do-compositor.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 5

top1
1. Retrovisor

Gusttavo Lima

top2
2. P do Pecado

Grupo Menos É Mais, Simone Mendes

top3
3. Tubarões

Diego e Victor Hugo

top4
4. Olho Marrom

Luan Santana

top5
5. Sua Boca Mente (Clipe Oficial) | You’re Still the One

Zé Felipe, Ana Castela

Anunciantes